Como mencionei, os folículos não se
distribuem erraticamente na pele do animal, todo pelo contrário, em grupos
formados por 3 primários (trio) rodeado por um número variável de secundários.
Nos Merinos, existe um maior
número de folículos secundários por cada primário, que no resto das raças,
podemos mencionar até 20 – 30 folículos secundários por cada primário. Essa relação
(relação s/p) número de secundários que rodeia a cada primário, expressa a
densidade do velo. Quanto maior é esta relação, maior é a densidade do velo. A relação
s/p é determinada por exames microscópicos de preparos de pele no laboratório.
Quando o crescimento dos
folículos está limitado por uma subalimentação, o ritmo de amadurecimento dos mesmos
também estará limitado e a produção de lã do ovino não atingirá nunca como si
tivesse permitido sua constituição genética. Esta diferencia pode atingir até
um 12 %.
O fato de que os velos com maior
número de fibras por unidade de superfície de pele, sejam mais finos e curtos,
determinou que a quantidade de fibra produzida por um folículo individual é afetado
significativamente pelo número de folículos que o rodeiam.
Em outras palavras, esses
folículos concorreram pelos mesmos nutrientes e por espaço. Este conceito pode
ser aplicado ao que acontece entre as diferentes raças e entre linhas dentro da
raça. A concorrência afeta a finura e o cumprimento da fibra. Assim velos
Merino com alta densidade e com grande quantidade de fibras por unidade de superfície
de pele possuem fibras mais finas e curtas que velos com menor densidade. E acontece
igual dentro da raça Merino, já que a raça possui diferentes linhas. Há pouca
diferencia entre os diâmetros e cumprimento das fibras produzidas pelos folículos
primários e secundários nos velos Merino. Em contrapartida, em raças de lã
grossa, com menor densidade s/p as fibras produzidas pelos folículos primários presentam
maior diâmetro assim como maior cumprimento de fibra que as produzidas pelos
folículos secundários.
Isto seria outro exemplo de concorrência
Inter folicular, já que em Merinos quando os folículos primários estão produzindo
fibras sofrem a concorrência do grande número de folículos secundários que se
iniciam e amadurecem.
Em raças de lã grossa, com baixo
número de folículos secundários por unidade de superfície de pele, os primários
sofrem pouca concorrência no momento em que estão produzindo fibra, enquanto
que os secundários ao amadurecer todos num intervalo relativamente curto de
tempo concorrem entre si, e produzem fibras mais finas que as produzidas pelos
folículos primários.
Podemos concluir a importância da
composição da população folicular na determinação da estrutura do velo, influindo
no tipo e quantidade de lã produzida pelas diferentes raças.
|
Densidade
Folicular de Raças. (Meramente ilustrativo).
|
|
Raça
|
Folículos
/ mm2
|
Relação
s/p
|
|
Merino Uruguaio
|
60 -70
|
24
|
|
Merino Australiano
|
64
|
21 – 22
|
|
Ideal
|
44
|
15
|
|
Merilin
|
40
|
12 – 13
|
|
Corriedale
|
28
|
10
|
|
Romney Marsh
|
22
|
6
|
|
Lincoln
|
14
|
4,5
|
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