sábado, 28 de setembro de 2013

Capim annoni. (Eragrostis plana) Rio Grande do Sul.

O Jornal Nacional teve uma reportagem sob este capim, uma reportagem alarmante, dada a importância do tema,  hoje vou comentar um pouco a respeito do Capim annoni.

O capim annoni  originário de África, gramínea estival perene chegou no Brasil a 50 anos, misturada (impurezas) com sementes forrageiras importadas. Quando foi descoberta, se observou que tinha um rápido desenvolvimento, muita massa verde, rápida implantação, produzia muita sementes, grande resistência ao frio, etc., com essas qualidades os produtores passaram a plantá-lo.

Com o tempo o resultado foi catastrófico, o capim conserva, sim essas qualidades, mas começaram a aparecer outras características não tão apreciadas como, espécie terrivelmente invasora, (ocupa os espaços deixados por espécies nativas, até ai seria normal mas o problema principal é a alelopatía, mecanismo da planta para se defender o que provoca a erradicação de espécies nativas vizinhas ao liberar substancias químicas no ar e no solo, inibe o crescimento das espécies vizinhas), altíssimo teor de F.B. (fibra bruta) ou seja baixo valor nutricional, neste ponto devo fazer uma aclaração, com a F.B. todos os ruminantes sempre conseguem digerir digamos assim, alguma coisa, deixemos os % de digestibilidade do lado por enquanto. Mas, nesta situação, os animais, não conseguem come-lo, não conseguem corta-lo ou seja aqui falamos da dentição do animal ao ponto que não somente provoca desgaste dos dentes, senão até quebra dos dentes. Sistema radicular denso muito ramificado e profundo, somado ao fato da grande produção de sementes, garante sua permanência no solo.

Controle.

Muitos produtores de RG., tem desistido do controle do capim annoni, e optam por conviver com ele.
Até o momento se tem tratado com diferentes tipos de herbicidas, roçadas, queimas, pastoreio rotativo, pastagens cultivadas, até suplementação, sem resultados positivos para sua erradicação.
E continua expandindo-se para todo o Brasil, além do RG., pode ser encontrada em SC., SP., MT., e continua para Argentina e Uruguai.
Desde 1979 sua comercialização está proibida pelo MA.

Duvida / Pergunta.

Quando me formei no Uruguai, minha tese tratou sob Cynodon  dactylon sp. com diferentes aplicações de Nitrogênio e seu respectivos ganhos sob animais Hereford.
No Uruguai, o Cynodon ou pasto bermuda como é chamado, está considerado como praga, quero deixar bem claro que não estou comparando com o Capim annoni.  Mas sim, neste ponto, se não é  possível o controle dele, então, não queda outra que nos aliar a ele. Vamos lembrar aqui que o Dr. Glenn W. Burton foi o pai nos trabalhos sob o Cynodon, podemos lembrar entre outros ao Tifton.
E aqui minha pergunta, qual é a opinião dos técnicos em fitotecnia e os geneticistas ao respeito do Capim annoni, é possível melhora-lo, é viável, ou é melhor esquecer e conviver com ele ?

Aqui deixo o link do Jornal Nacional para quem deseje assistir.
http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2013/09/vaca-monitorada-eletronicamente-ajuda-no-combate-praga-invasora.html

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Região vs Produção.

E Brasil é grande, bota grande nisso.

O Nordeste, o semiárido nordestino com  produções muito baixas, tanto em forragens quanto  em produção animal, com um clima muito variado, duas estações climáticas bem marcantes, uma chuvosa o que permite uma maior disponibilidade de forragem e até de boa qualidade e em contrapartida uma estação de seca impossibilitando a viabilidade do forragem. Nestas condições continuam válidas as alternativas de uso de espécies de maior produtividade, óbvio adaptadas, uso de suplementos, em outras palavras oferecer ao animal uma alimentação com alto nível nutricional não somente em quantidade mas também em qualidade.  

Nunca uma pastagem com espécies nativas, permitirá elevados índices de produção, no passado quando não existiam ainda centros de pesquisas, com produções extensivas e extrativas, os animais eram criados sem muita preocupação nos aspectos econômicos do negocio, tampouco existia um mercado consumidor exigente e nem tampouco uma pressão fiscal como nestes dias e melhor nem falar do custo dos insumos. Mas os tempos mudarão e a meta é obter a maior qualidade de produto no menor tempo possível.

Mas, não é tão fácil assim, todos sabemos que em um sistema de produção, o fator mais limitante compromete o sistema neste caso o sistema produtivo, e esse fator é a água já que continua sendo semiárido com uma estação de seca muito marcante.  Mesmo que os ruminantes tenham a capacidade de transformar alimentos de baixo valor nutricional.  Milagre não da para fazer.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Consumo de Carne Ovina.

Os ovinos foram domesticados pelo homem a muito tempo temos informação desde os tempos bíblicos. Eles tem fornecido ao homem, carne, leite, lã e pele. São animais de grande adaptação aos diferentes climas e relevos.

Países como Austrália, e Nova Zelândia são a vanguarda na produção ovina como um todo. 

A fibra de lã se viu afetada pelo seu maior concorrente a fibra sintética, o que motivou a queda nos preços internacionais da lã na década dos 90. Isto provocou mudanças profundas no mercado de lãs. Muitos produtores trocaram seu rebanho produtores de lã , anos de trabalho,  seleção, e sacrifício pela produção de ovinos produtores de carne. Gostando ou não isto foi uma realidade, que aconteceu em Uruguai, Rio Grande do Sul fundamentalmente.

Se fala que o consumo de carne ovina deve ser incrementado, mudança de hábito, que o consumo per capita é baixo, onde outros países chegam a ter 20 kg per capita ano, e mais baixo ainda se o comparamos com o que normalmente estamos habituados a comer, carne bovina, suína, frango e peixe, não da para comparar.
   
Mas mudar o hábito, seria bom si tivéssemos maior oferta de cordeiros para consumo da população, maior número de cordeiros, para maior número de frigoríficos, é um problema muito sério, onde muitos produtores se vem desestimulados diretamente porque não sabem onde vender seu produto.

Na minha região de Avaré  (300 Km de São Paulo capital) chegam os kits de cordeiro produzido no Uruguai. 
Temos muito por fazer.


A ovinocultura é um grande negocio.

Brasil possui território, clima, mão de obra, baixo consumo interno de carne ovina,  possibilidades de até exportar, com isto quero dizer o grande potencial de Brasil e o trabalho que tem pela frente. Não somente carne, como mencionei em artículos anteriores, são animais que oferecem carne, lã, leite, pele. 

E não é nenhum absurdo pensar que podemos, sim, concorrer com países como Argentina, Austrália, Uruguai e tantos outros.   

Temos um produto, (cordeiro) que tem que ser melhorado no campo, alimentação, sanidade, manejo, a própria escolha da raça para a região em que se encontra o produtor, de conformidade com o tipo de solo de sua fazenda.

Aplicando sistemas de produção adequados, visando sempre os custos.

 Carcaça.

As carcaças podem representar entre um 40 a 50 % do peso vivo. 
Sabemos que o peso vivo é totalmente dependente da idade do animal, velocidade de crescimento ou taxa de crescimento, do sexo, do peso ao nascimento, todos fatores de origem genético e sim também pela alimentação, manejo e seleção, saúde, fatores externos. Em consequência, teremos um peso vivo de venda e um peso de carcaça e seu consequente valor final.  

Resulta claro, que a carcaça é o fator determinante na comercialização de cordeiros.

As carcaças podem ser comercializadas, tanto inteiras como fracionadas, ou seja em cortes menores, como faz Uruguai e tantos outros países. Eles produzem um cordeiro que definem como cordeiro tipo SUL (Secretariado Uruguayo de la Lana) processam as carnes, cortes industriais, agregam valor, e exportam. Acredito que já tenham visto os kits em supermercados de São Paulo capital.
Na minha cidade de Avaré/São Paulo, de tempos em tempos aparecem os kits de cortes uruguaios no supermercado.

Em toda carcaça temos 3 elementos que devem ser levados em consideração, a carne (músculo), osso e gordura. E como mencionei anteriormente, estes são influenciados entre outros pela raça, sexo, estado sanitário, nutrição, idade, só por mencionar alguns. Estão influenciando ao animal como um todo, portanto o peso vivo de abate. Estes tecidos, se desenvolvem  como ondas de crescimento durante a vida do animal, os ossos são os primeiros em aparecer seguido pelos músculos e finalmente a gordura. Digamos desta forma é um ordem entre crescimento e desenvolvimento, conforme o peso e a idade do animal.

Sempre vá existir gordura, mesmo ao nascimento, a gordura é uma fonte natural de energia no animal. Com o aumento da idade, os ossos chegam a um ponto máximo em que não haverá mais crescimento, isto está determinado pela raça, tampouco aumentará sua musculatura, mas sim suas quantidades de gordura, começara a acumular gordura.

Em outras palavras, uma boa carcaça deve presentar músculo (carne) fundamentalmente, é o que o consumidor paga, pouco osso, e sim uma certa proporção de gordura, e é a que confere certo gostinho a carne que todos apreciamos.

E como chegamos a essa proporção, aí está o problema, não existem receitas, existem situações, caso a caso conforme o sistema de produção.
Depende de muitos fatores, tipo de raça, com lã ou sem, raça pura ou animais cruza,  cordeiros inteiros ou castrados, confinados ou não, tipo de alimento, aveia, milho, silagem, suplementos, alfafa, e assim por diante.

Uma coisa é clara, em animais de corte como o Santa Inês interessa o músculo.

Até a puberdade maior é a deposição muscular, de aí em diante começa a haver deposição de gordura, então, qual seria o  peso de abate, 25 kg. +/- 10, 00 Kg., ou seja abate de cordeiros jovens com 5 meses de idade e peso vivo de 30 kg.

Permitir pesos maiores seria até um desperdício nutricional, já que os animais depositariam mais  gordura que músculo, coisa que o consumidor não quer, quando podemos destinar esse alimento para outras categorias, ou seja seria irracional produzir gordura. 

Os cortes comerciais de maior procura são, perna, paleta (melhor relação músculo/osso) seguidos pelo lombo, costilhar e pescoço.

 


terça-feira, 3 de setembro de 2013

Tudo bem gente do campo.



Já faz muito tempo que muitos amigos e colegas  tem-me incentivado a criar um blog dedicado a nossas ovelhas,  mas,  diferente de tantos que podemos encontrar na internet.

Neste blog pretendo mostrar tudo aquilo relacionado com este animal tão versátil e misterioso que dia a dia nos surpreende. Quando digo tudo aquilo faço referencia a sua historia em diante, sim historia mesma, os convênios, associações entre R.Grande e Uruguai, etc., em fim uma época que já passou até nossos dias, com técnicas, manejo, alimentação, Austrália, Nova Zelândia, tendências, e futuro destes animais. 
O ovino doméstico, é definido como Ovis aries.

Animais de sangue quente, mamíferos, ruminantes, dedos pares, placenta policotiledônea, são algumas de suas características.

Podemos afirmar que o ovino doméstico descende de 2 raças por um lado o MUFLON  (Ovis musimon e Ovis orientalis) e por outro do URIAL  DA ASIA (Ovis vignei). Animais selvagens. 

Os ovinos são mencionados em toda nossa historia, no Neolítico, no Egito uns 4.000 anos A.C.. O homem de Neanderthal, já convertia a lã em tecido, achados nas ruínas das aldeias lacustres na Suíça. No  Antigo Testamento está escrito, ... Abel filho de Eva, pastor de ovelhas. 
Além de ser os ovinos os animais domésticos  mais antigos, a ovelha se encontra entre os seres vivos que mais tem contribuído ao homem, carne, leite, sebo, pele, lã.

Espanha.

No Império Romano, as roupas eram feitas, com lã importada da Espanha. Naquela época foram cruzadas ovelhas Tarantino de lã fina provenientes da Itália, com carneiros selvagens  de Berberia dando assim origem ao Merino Churra de fibra de lã mais cumprida. Com o passar do tempo os animais foram marcando suas características chegando a Transhumantes e Estantes. 

Os primeiros (ovinos transhumantes) eram animais grandes, de velo denso e fibra muito fina, oleoso e suave sem lã no rosto.  O Ovino Negrete, corpo grande, redondo, muito enrugado (gravatas) com peso de velo de 2 kg.

Os ovinos Estantes, eram animais pequenos, também de lã fina mas de fibra curta.

França.

Em 1786 Luis XVI importou da Espanha 300 animais, que formam conduzidos para a localidade Rambouillet uns 40 milhas de Paris, onde se originou o Merino Rambouillet.

USA

Nos Estados Unidos, seguindo a mesma regra, animais importados da Espanha, produzo o Merino de Vermont e foi esta raça ou melhor este tipo de animal que influenciou os cruzamentos nos merinos de Austrália. 

Entre os anos 1890 e 1900 foram estes os animais que mais se exportavam para Austrália. 

O Merino de Vermont era um animal forte e bom produtor de lã mas por efeito de uma seleção fechada (inbreeding) foi transformado em animais de pele muito enrugada.


Austrália

Podemos afirmar que desde que foi colonizada por convictos ingleses, estes levaram suas ovelhas da Índia - Calcutá, animais de lã cumprida e grossa, também se tem noticia de animais  da Irlanda, da zona montanhosa, com iguais características.

A partir de 1860 um produtor de nome George Peppin, utilizando-se de animais, Merino Rambouillet  Negrete e carneiros de Vermont determina as bases dos melhores rebanhos da Austrália. Iniciando-se assim os programas de finura strong, medium e fine. De aí para cá os programas australianos tem se dedicado a melhorar a lã, peso do velo, conformação e eliminação de animais com rugas.

América do Sul

A primeira importação de Merinos data de 1827. Naqueles anos os animais que predominavam eram ovinos mestiços e crioulos com media de 1,150 kg. de lã por cabeça. Era impossível definir a raça dominante em nossos rebanhos.
Foram introduzidos Merinos Negrete, M. Rambouillet, dando lugar a " Merinización ".
O item principal na produção ovina era a lã e a carne em segundo lugar. Os criadores da época, encaravam a produção com base no maior rendimento econômico, procurando animais adaptados ao clima, tipo de solo, sistemas de exploração e  demanda de mercado.

O que determinou um tipo de lã chamada " Lana Tipo Montevideo " até aí tudo andava bem até a chegada dos Frigoríficos que exigiam carne e lã em segundo lugar. Os criadores começaram a cruzar os melhores rebanhos merinos com animais de raças Inglesas, na procura de carne, dando inicio ao uso de carneiros Lincoln, Romney Marsh. 

Y finalmente com o passar do tempo, com altos e baixos, na demanda de carne, com políticas protecionistas (Comunidade Britânica) vão surgindo outras raças como Corriedale de dupla aptidão (carne e lã), Ideal (75% Merino Australiano x 25% Lincoln), Merilin (75% Merino Rambouillet x 25% Lincoln), Southdown, Hampshire Down, Texel (Holanda), Karakul (Ásia), Dorset, entre outras tantas, e a que mais se tem destacado, como raça produtora de carne e a Santa Inês.