terça-feira, 3 de setembro de 2013

Tudo bem gente do campo.



Já faz muito tempo que muitos amigos e colegas  tem-me incentivado a criar um blog dedicado a nossas ovelhas,  mas,  diferente de tantos que podemos encontrar na internet.

Neste blog pretendo mostrar tudo aquilo relacionado com este animal tão versátil e misterioso que dia a dia nos surpreende. Quando digo tudo aquilo faço referencia a sua historia em diante, sim historia mesma, os convênios, associações entre R.Grande e Uruguai, etc., em fim uma época que já passou até nossos dias, com técnicas, manejo, alimentação, Austrália, Nova Zelândia, tendências, e futuro destes animais. 
O ovino doméstico, é definido como Ovis aries.

Animais de sangue quente, mamíferos, ruminantes, dedos pares, placenta policotiledônea, são algumas de suas características.

Podemos afirmar que o ovino doméstico descende de 2 raças por um lado o MUFLON  (Ovis musimon e Ovis orientalis) e por outro do URIAL  DA ASIA (Ovis vignei). Animais selvagens. 

Os ovinos são mencionados em toda nossa historia, no Neolítico, no Egito uns 4.000 anos A.C.. O homem de Neanderthal, já convertia a lã em tecido, achados nas ruínas das aldeias lacustres na Suíça. No  Antigo Testamento está escrito, ... Abel filho de Eva, pastor de ovelhas. 
Além de ser os ovinos os animais domésticos  mais antigos, a ovelha se encontra entre os seres vivos que mais tem contribuído ao homem, carne, leite, sebo, pele, lã.

Espanha.

No Império Romano, as roupas eram feitas, com lã importada da Espanha. Naquela época foram cruzadas ovelhas Tarantino de lã fina provenientes da Itália, com carneiros selvagens  de Berberia dando assim origem ao Merino Churra de fibra de lã mais cumprida. Com o passar do tempo os animais foram marcando suas características chegando a Transhumantes e Estantes. 

Os primeiros (ovinos transhumantes) eram animais grandes, de velo denso e fibra muito fina, oleoso e suave sem lã no rosto.  O Ovino Negrete, corpo grande, redondo, muito enrugado (gravatas) com peso de velo de 2 kg.

Os ovinos Estantes, eram animais pequenos, também de lã fina mas de fibra curta.

França.

Em 1786 Luis XVI importou da Espanha 300 animais, que formam conduzidos para a localidade Rambouillet uns 40 milhas de Paris, onde se originou o Merino Rambouillet.

USA

Nos Estados Unidos, seguindo a mesma regra, animais importados da Espanha, produzo o Merino de Vermont e foi esta raça ou melhor este tipo de animal que influenciou os cruzamentos nos merinos de Austrália. 

Entre os anos 1890 e 1900 foram estes os animais que mais se exportavam para Austrália. 

O Merino de Vermont era um animal forte e bom produtor de lã mas por efeito de uma seleção fechada (inbreeding) foi transformado em animais de pele muito enrugada.


Austrália

Podemos afirmar que desde que foi colonizada por convictos ingleses, estes levaram suas ovelhas da Índia - Calcutá, animais de lã cumprida e grossa, também se tem noticia de animais  da Irlanda, da zona montanhosa, com iguais características.

A partir de 1860 um produtor de nome George Peppin, utilizando-se de animais, Merino Rambouillet  Negrete e carneiros de Vermont determina as bases dos melhores rebanhos da Austrália. Iniciando-se assim os programas de finura strong, medium e fine. De aí para cá os programas australianos tem se dedicado a melhorar a lã, peso do velo, conformação e eliminação de animais com rugas.

América do Sul

A primeira importação de Merinos data de 1827. Naqueles anos os animais que predominavam eram ovinos mestiços e crioulos com media de 1,150 kg. de lã por cabeça. Era impossível definir a raça dominante em nossos rebanhos.
Foram introduzidos Merinos Negrete, M. Rambouillet, dando lugar a " Merinización ".
O item principal na produção ovina era a lã e a carne em segundo lugar. Os criadores da época, encaravam a produção com base no maior rendimento econômico, procurando animais adaptados ao clima, tipo de solo, sistemas de exploração e  demanda de mercado.

O que determinou um tipo de lã chamada " Lana Tipo Montevideo " até aí tudo andava bem até a chegada dos Frigoríficos que exigiam carne e lã em segundo lugar. Os criadores começaram a cruzar os melhores rebanhos merinos com animais de raças Inglesas, na procura de carne, dando inicio ao uso de carneiros Lincoln, Romney Marsh. 

Y finalmente com o passar do tempo, com altos e baixos, na demanda de carne, com políticas protecionistas (Comunidade Britânica) vão surgindo outras raças como Corriedale de dupla aptidão (carne e lã), Ideal (75% Merino Australiano x 25% Lincoln), Merilin (75% Merino Rambouillet x 25% Lincoln), Southdown, Hampshire Down, Texel (Holanda), Karakul (Ásia), Dorset, entre outras tantas, e a que mais se tem destacado, como raça produtora de carne e a Santa Inês.

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